HOLOFOTE | Pelos caminhos e destinos, a luz que nunca se apaga
- Eduarda Rameh
- 5 de mar.
- 3 min de leitura
47º edição

Nesta 47° edição do Jornal Laboratório Lampião, demos continuidade ao constante processo de mudança e melhoramento produtivo, sempre com a finalidade de entregar um conteúdo noticioso de interesse público para a região dos Inconfidentes e de construir uma conexão significativa com a comunidade. Mas como medir essa conexão? Será que a comunidade se conecta ao Lampião ou apenas o Lampião que se conecta à comunidade?
De outubro a fevereiro, tivemos dois marcos para o Lampião: a volta do jornal impresso, que foi interrompido na pandemia de COVID-19, desde 2019; e a cobertura dos 10 anos do rompimento da barragem do Fundão, de responsabilidade das mineradoras Samarco, Vale e BHP, na qual nos voltamos para as problemáticas em torno da vida das pessoas e comunidades atingidas, que ainda esperam por uma reparação justa e integral.
Com 6000 exemplares impressos, a produção merece destaque pela sua sensibilidade. Fugindo da cobertura factual e fria que costuma saturar a grande mídia, os repórteres e editores se dividiram para ir a campo nos fins de semana, resultando em reportagens autorais, mesclando gêneros jornalísticos que vão do informativo ao literário. O diálogo com a Comissão de Atingidos pela Barragem do Fundão (CABF), com a Cáritas, o Instituto Guaicuy e o grupo de pesquisa CONTERRA-UFOP elevou o nível do material, transformando o jornalismo em um aliado real da luta por justiça e reparação. É um jornalismo profissional, acessível e, acima de tudo, necessário. Um exemplo da força desse conteúdo foi a repercussão da matéria Reparação “fantasiosa” e sem voz das comunidades, que foi repostada pela Agência Pública, mostrando que a nossa produção tem fôlego para pautar o debate nacional.
Contudo, para que o trabalho jornalístico do Lampião faça sentido, ele precisa chegar ao destinatário. No Radar, mostramos uma boa amplitude geográfica e diversidade de pautas, que cobrem desde o acesso à vacinação aos direitos de pessoas trans e à programação do dia da Consciência Negra na região. A legibilidade das informações nas matérias foi favorecida pelo uso de bons infográficos, que traduzem os dados de forma visual. Também, a disseminação dos Radares no YouTube e no Spotify mostra uma expansão necessária da nossa linguagem, embora o texto escrito continue sendo nossa base fundamental.
No entanto, esbarramos em vícios produtivos. Ainda há uma dependência excessiva da busca por pautas via assessorias de prefeituras, o que às vezes engessa a apuração e faz com que temas como a "Tarifa Zero" e os problemas crônicos dos ônibus se repitam exaustivamente em quase todas as edições, apesar da pertinência. A alma da edição só aparece de fato quando ouvimos o cidadão, como no caso do aniversário da Aluminas, um dos recordes de visualização desse semestre, em que o relato humanizado nos afastou da frieza institucional.
Além de gargalos internos de comunicação e cumprimento de prazos que comprometem o fluxo produtivo, o maior dilema desta edição é o alcance. O retorno do impresso pode ser um grande passo para furar a bolha acadêmica, mas ele nos deixa no escuro: sem um sistema de tracking ou feedback direto, não sabemos se o jornal está sendo lido na mesa do café ou se está parando no primeiro descarte. No digital, nossas visualizações ainda são modestas para o tamanho da relevância do que produzimos.
Para as próximas edições, o desafio não é apenas produzir conteúdo de qualidade, isso já provamos que sabemos fazer em eixos como Direitos Humanos, Meio Ambiente e Patrimônio. O desafio agora é a distribuição. Notamos um crescimento expressivo e um bom alcance nas nossas redes sociais este período, o que é um avanço, mas esbarramos em um novo obstáculo: a baixa taxa de conversão para o site. O público consome o conteúdo de forma fragmentada nas plataformas, mas não chega à íntegra da apuração.
Nesse contexto, a continuidade da experiência do impresso se mostra ainda mais estratégica. Como exercício pedagógico, ele é essencial para nossa formação, nos desafiando a lidar com o fechamento, o espaço limitado e a perenidade do papel. Sob outra ótica, o formato físico atua como um potente braço de difusão, capaz de atingir nichos que as redes não tocam, especialmente nos distritos e entre as gerações que não habitam o ambiente virtual. Precisamos de mais tempo e edições para amadurecer essas práticas e testar o impacto real do nosso jornal nas cidades. Com uma estratégia de circulação bem amarrada, que inclua parcerias com jornais e rádios maiores, o uso de QR Codes e a instalação de jornais de mural em pontos estratégicos, o impresso pode se consolidar como o elo que falta para a nossa integração regional.
O Lampião é um diamante bruto da nossa região, mas um diamante guardado no cofre da universidade não brilha para quem realmente precisa dele. Nosso próximo passo deve ser garantir que o público-alvo receba, leia, e acima de tudo, se veja no conteúdo que distribuímos.




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