Dois rios e uma direção
- Artur Magalhães e Clara Lamacié
- há 20 horas
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As pessoas que são força e resistência mantêm viva a memória de um quilombo que teve seus rios destruídos pelo desastre-crime da Vale e BHP (Samarco), em 2015, enquanto lutam pela inclusão no Novo Acordo do Rio Doce.

Dos mais de 300 anos de existência da comunidade Ribeirinho de Volta da Capela, dona Teresinha viveu um terço. Teresa Cardoso, 95 anos, matriarca da comunidade que nasceu no início do século XVIII, é a personificação da cultura, da memória e da ancestralidade do quilombo.

Flávia Aleteia (centro da primeira foto, com lenço colorido na cabeça) é neta de dona Teresinha,e presidente da Associação Cultural Quilombola. Sua luta é manter viva e passar adiante o que aprendeu das outras gerações, além de garantir direitos tantas vezes negados à comunidade. Mesmo reconhecido pela Fundação Palmares desde 2025, o quilombo não foi incluído no Novo Acordo do Rio Doce.

A música, presente na coreografia do coco e do baião – manifestações culturais e estilos musicais com grande influência africana e indígena – faz sempre referência ao encontro dos rios do Carmo e Gualaxo, hoje tomados pelos rejeitos minerários.




Ester e Antonella, bisnetas de dona Teresinha, nascidas depois do crime, não puderam como seus ancestrais, brincar nos rios. Também não viram a comunidade viver da pesca, da agricultura e do garimpo no Carmo e no Gualaxo. Apesar da ausência material dessas memórias, elas renascem na tradição a partir da música, da dança e da história oral.















































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