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Após quase três anos, Parque do Itacolomi reabre para visitação

  • Júlia Aguiar e Letícia de Lelis
  • há 4 horas
  • 6 min de leitura

47° edição


A unidade de conservação retornou sem todas às atividades disponíveis, depois de passar por um período de obras para melhoria de sua infraestrutura.


#ParaTodosVerem: Imagem de serras com vegetação verde, com nuvens que perpassam entre os montes durante o pôr do sol. Em primeiro plano, a vegetação também pode ser observada de forma mais próxima, à direita da imagem.
Vista do Parque do Itacolomi a partir de uma de suas trilhas, que mostra a dimensão da unidade | Foto: Júlia Aguiar

No último dia 4 de fevereiro, o Parque Estadual do Itacolomi, situado em Ouro Preto e Mariana, reabriu com um novo modelo de gestão. O local, fechado desde o início de 2023 por causa de uma sequência de acontecimentos e decisões do Governo de Minas, passou a ser administrado por uma empresa privada desde o ano passado.


Entre os anos de 2020 e 2022, o parque permaneceu entre fechamentos e aberturas devido à pandemia de COVID-19. Após esse momento de instabilidade, o parque fechou novamente no primeiro trimestre de 2023 devido às fortes chuvas na região que prejudicaram a via de acesso. Depois disso, foi apontada pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF), órgão responsável por executar políticas florestais e de biodiversidade em Minas, a necessidade de amplas reformas estruturais, com previsão de obras que durariam até dezembro de 2024. Em dezembro de 2023, o IEF informou que o parque fecharia as portas no dia 1° janeiro de 2024 para essas obras, mas naquele momento, o local já estava fechado para visitação há cerca de nove meses.


De acordo com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (SEMAD), as obras de reforma estrutural foram realizadas pelo IEF paralelamente ao processo de concessão.  As intervenções realizadas foram subsidiadas pela empresa Vale S.A. como forma de compensação florestal minerária. Estas reformas incluíram a recuperação e modernização de diversas estruturas como portaria, credenciamento, Casa Bandeirista, Centro de Visitantes, Museu do Chá, alojamentos, administração, restaurante e área de camping.


A concessão


#ParaTodosVerem: Em primeiro plano, centralizado na imagem, há uma escultura recortada em chapa metálica enferrujada com sinais de oxidação esverdeados, representando uma pessoa olhando em um binóculo. Ao fundo, há uma construção branca, com corrimão, janelas marrons e azuis, e placa rosa e laranja com escrito “Centro de Visitantes - Parque Estadual do Itacolomi”.
No Centro de Visitantes, é possível aprender mais sobre a história, fauna e flora do Parque do Itacolomi e seu entorno | Foto: Letícia de Lelis

O IEF realizou um leilão em dezembro de 2022 e a Parquetur, empresa brasileira de serviço ao apoio à visitação de parques naturais, ganhou a concessão do Parque Estadual do Itacolomi e do Parque Estadual de Ibitipoca, localizado no município de Lima Duarte. O IEF justifica a concessão como uma forma de ampliar a qualidade da experiência dos visitantes e promover o uso público sustentável. A ação faz parte do Programa de Concessão de Parques Estaduais, iniciativa do Governo de Minas criada em 2019 que propõe melhorar a gestão das unidades de conservação no estado.


O valor pago pela concessão dos dois parques foi de R$ 3,5 milhões e o contrato foi assinado em 2023, com vigência de 30 anos a partir da assinatura, estabelecendo que a transição da gestão ocorreria no 22° mês (março de 2025) durante um período de 90 dias. Porém, a Parquetur assumiu a gestão do Parque do Itacolomi, de forma gradual, a partir de outubro de 2025, dando início à transição após a finalização das obras previstas pelo Governo, até então responsável pela administração do parque.


A partir do acordo, a empresa ficou responsável pela operação dos serviços de apoio à visitação, como controle de acesso, estacionamento, alimentação, hospedagem,  segurança, manutenção de trilhas e estruturas de uso público. O IEF, por sua vez, continuou com a responsabilidade pelas ações de preservação ambiental, pesquisas científicas, educação ambiental, prevenção e combate aos incêndios, além da gestão do contrato de concessão, do monitoramento e da fiscalização do desempenho da Parquetur.


Nova gestão


Criado em 1967, o Parque do Itacolomi, que possui 5.961 hectares, é refúgio da Mata Atlântica, e onde se encontra o Pico do Itacolomi, cartão postal de Ouro Preto e um dos mirantes mais conhecidos do estado de Minas Gerais. Além de sua rica biodiversidade, possui construções históricas dos séculos XVIII e XIV que fazem parte da experiência do visitante, como a Casa Bandeirista, que servia de apoio aos exploradores do ouro, a Capela São José, que preserva a arquitetura barroca e o Museu do Chá, onde funcionava uma fábrica de chá inglês e alemão. Esses prédios, assim como o Centro de Visitantes, já estão abertos a visitação. 


#ParaTodosVerem: Em destaque, duas máquinas antigas de fazer chá, em um local fechado. Na parede ao fundo, há painéis explicativos com imagens e desenhos.
Máquina de enrolar folhas de chá exposta no Museu do Chá, lugar onde era produzido o Chá Edelweiss, exportado principalmente para Europa entre 1930 e 1950 | Foto: Letícia de Lelis

Algumas trilhas e atrativos já existentes anteriormente ainda não retornaram, como mirantes, área de camping, casa do pesquisador, casa de hóspedes e restaurante de apoio, mas segundo o site do parque, a expectativa é que retornem em breve. A empresa concessionária promete trazer novidades como o Roteiro do Chá, que pretende trazer junto a visitação do museu uma experiência gastronômica, atividade de Bikepark, que contará com trilha exclusiva para ciclistas e uma “Trilha dos Sentidos”, pensada para pessoas com deficiência visual e auditiva. As novas atividades também não foram incluídas até o momento, o que, de acordo com a Parquetur, será feito de maneira gradativa. 


O ingresso integral ao parque custa R$28,75, já a meia entrada R$14,37. Moradores de Ouro Preto e Mariana têm isenção da taxa do ingresso em dias úteis, e durante sábado, domingo e feriados prolongados, têm direito a pagar meia entrada. Já moradores dos distritos de Lavras Novas e de Passagem possuem isenção total do ingresso todos os dias da semana. Outras taxas, como a de R$20 do estacionamento e R$40 para o camping continuam valendo em todos os momentos.


De acordo com a SEMAD, o parque possui taxa de visitação desde 2004 e os valores são regulamentados por portarias do IEF e têm como finalidade assegurar a sustentabilidade financeira e social das unidades de conservação. Portais oficiais e de notícias mostram que o ingresso integral do parque variou entre R$10 e R$20 nos anos anteriores ao seu fechamento, em 2023. Descontos e isenções para moradores locais também já aconteciam anteriormente, de maneira variada.


Impressões de quem vive o Itacolomi


 #ParaTodosVerem: Mulher vestida de roupa esportiva preta, sentada em uma rocha no alto do Parque do Itacolomi, de frente para uma vista com vegetação e cidade ao fundo.
Ingrid Martins, que costuma fazer trilhas na região, em uma de suas visitas ao parque, em 2022 | Arquivo pessoal

Ingrid Martins, estudante, tem 28 anos e é moradora de Mariana. Costumava frequentar o parque habitualmente e demonstrou ter altas expectativas com o retorno do lugar, que considera um destino incrível e imperdível, reforçando a importância do cuidado com a segurança da população. “Espero que o lugar esteja cuidado, com trilhas mais abertas, com uma estrutura melhor, na parte do camping, do estacionamento, da recepção das pessoas, com placas para localizar”, destacou. Ela também teme que, com a concessão privada, o parque se torne mais inacessível, com dinâmicas em que o lucro prevaleça em relação aos interesses da população. “Os custos selecionam um pouco o público. Os finais de semana são os dias que as pessoas tem pra ir ao parque, por exemplo”, disse.


A relação de Francisco Moura, psicólogo, 61, com o parque é antiga. No final da década de 90, quando virou professor da UFOP, Francisco começou, junto com outro professor, a oferecer aulas de educação ambiental para crianças dentro do parque. Depois, tomou o costume de levar seus alunos de Nutrição para fazer aulas no sábado no parque, quebrando a rotina tradicional dos estudos. Apaixonado por esportes ao ar livre, ele sempre frequentou o parque e seus arredores em trilhas, em atividades como Trail Running e Endurance. Ele compartilha que, durante o tempo em que o parque permaneceu fechado, alguns projetos de corrida que ele participaria foram cancelados ou precisaram ser redefinidos com uma rota que não contaria com a área do parque. 


Para Igor Alves, 38, professor de matemática, ir ao parque é sua rotina sagrada. “Itacolomi sempre foi meu local de treino e refúgio. Sou apaixonado pelo parque”. Ele conta que, anteriormente, costumava subir no pico ao menos uma vez por mês. Seu grande desejo com o retorno é ver a abertura oficial de trilhas clássicas, como a da travessia para Passagem de Mariana e o acesso facilitado à Cachoeira do Ico, que em sua opinião “são potenciais enormes que estavam adormecidos e precisam voltar a ser do público”. Igor ainda reconhece que alguns aspectos da infraestrutura do parque demandavam mais atenção, como a precarização na manutenção e sinalização nas trilhas, o que impactava a experiência do visitante.


Igor completa que vê a nova gestão da Parquetur com bons olhos, e destaca a melhoria na comunicação, na divulgação e nos atrativos para esportistas, além da valorização de construções históricas como o Museu do Chá e a Casa do Bandeirista. Para ele, a isenção do ingresso é justa, mas o estacionamento é um ponto sensível, pois se o custo for alto, vira uma barreira para quem visita sempre. “O morador de Ouro Preto e Mariana encara o parque como extensão de casa, e não pode se sentir um turista pagante na sua própria terra”, conclui. Como profissional do ensino, Igor pensa que o foco educativo é vital é o momento para aproximar o parque das escolas, facilitando projetos tanto públicos quanto privados.








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