Ouro Preto registra queda de 98% nos casos de dengue em 2025
- João Pedro Nepomuceno e Laira Ferreira
- há 2 dias
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A redução histórica é percebida após adoção de estratégias de controle do Aedes aegypti.

O Estado de Minas Gerais registrou uma queda de 92% nos casos de dengue em 2025, é o que apontam os dados divulgados no início do mês de janeiro deste ano pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG). O resultado representa um avanço no controle das arboviroses, que de acordo com o Ministério da Saúde, têm maior circulação entre os meses de novembro e maio.
De acordo com o monitoramento de arboviroses disponível no site do Governo Federal, ao longo de 2025, foram contabilizados 118.858 casos em Minas Gerais, enquanto no ano anterior (2024), o estado havia registrado 1.400.537 ocorrências. A queda dos números estaduais também foi acompanhada pelo município de Ouro Preto. A cidade da Região dos Inconfidentes registrou uma redução de aproximadamente 98% nos casos da doença. O número caiu de 3.520 registros em 2024 para apenas 50 em 2025.

A especialista Waneska Alves, epidemiologista do Departamento de Medicina Social da Universidade Federal de Ouro Preto, explica que a redução de casos de dengue deve ser avaliada com cautela. “Essa redução não indica necessariamente uma mudança estrutural consolidada. O cenário epidemiológico das arboviroses ainda é considerado frágil, sobretudo se não houver participação ativa e contínua da população nas ações de prevenção e controle do vetor, bem como a manutenção permanente das ações de vigilância em saúde integradas com outros setores da prefeitura”, alerta a epidemiologista.
Em casos de cidades históricas, como Ouro Preto, os desafios tendem a ser maiores para controle de arboviroses. Limitações estruturais para obras de saneamento, restrições para intervenções urbanas e o grande fluxo turístico são fatores que podem dificultar o controle ambiental e a identificação de focos do mosquito.
A chefe do Departamento Municipal de Vigilância de Zoonoses, Francyele Sobreira, destaca que Ouro Preto adotou novas práticas na identificação e combate aos focos de dengue, como a utilização de drones que sobrevoam áreas isoladas, serviço iniciado em julho de 2024 como estratégia complementar às ações de vigilância. As áreas monitoradas são definidas com base na análise de dados epidemiológicos, no histórico de casos e na identificação de territórios com maior risco de transmissão.
Outra medida adotada foi o Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), que possui função de identificar áreas prioritárias para intervenção. “Esse levantamento é complementado pelo uso de ovitrampas, que permitem monitorar a distribuição espacial e temporal do vetor por meio da coleta de ovos de mosquitos do gênero Aedes, contribuindo para ações preventivas voltadas à eliminação de criadouros e para o fortalecimento das estratégias de vigilância e controle vetorial”, explica a chefe do Departamento. As ovitrampas são armadilhas simples, de baixo custo e alta efetividade, utilizadas prioritariamente em áreas com maior risco identificado.
Apesar dos índices positivos, Waneska Alves ressalta que quedas podem preceder novos surtos uma vez que as arboviroses podem apresentar comportamento cíclico e novas variações do vírus “Observamos isso recentemente no Brasil e em vários municípios do estado de MG. Por isso, a vigilância em saúde, integrada à atenção à saúde, precisa ser permanente, mesmo em momentos de baixa incidência, com a população sempre atenta ao controle vetorial, especialmente no ambiente intradomiciliar”, instrui a especialista.
Para a manutenção desses baixos índices de infecção na cidade, o Departamento aposta na continuidade dos processos já existentes e no monitoramento permanente da situação epidemiológica. A manutenção do LIRAa, o uso das ovitrampas e o mapeamento por drones são as principais estratégias, além disso, a capacitação constante das equipes de combate ao mosquito também estão nos planos da Saúde. Como estratégia complementar, o município ainda recebeu telas para caixas d’água a fim de contribuir para a redução de criadouros e para a prevenção da proliferação do mosquito.
Além disso, a especialista ressalta a importância da ação coletiva para o combate ao mosquito: “O cenário epidemiológico das arboviroses ainda é considerado frágil, sobretudo se não houver participação ativa e contínua da população nas ações de prevenção e controle do vetor, bem como a manutenção permanente das ações de vigilância em saúde integradas com outros setores da prefeitura e da secretaria de estado”.
Formas de prevenção
A chefe do Departamento reitera que a participação ativa da população também é indispensável para manter o resultado. Além da manutenção diária de possíveis focos de reprodução do mosquito, como recipientes com água parada, vasos de plantas com pratinhos, caixas d’água mal vedadas, calhas e ralos sem limpeza regular. A adoção de práticas como o uso de repelentes também são extremamente importantes para a redução dos casos.
Parte das medidas adotadas para manter a redução dos casos de dengue no estado são as campanhas de vacinação, adotadas recentemente no município de Ouro Preto. O início da vacinação ocorreu na última quinta-feira (29), em um primeiro momento, serão atendidas crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, 11 meses e 29 dias. Nessa faixa etária, a imunização é realizada em 2 doses com intervalo de 3 meses entre elas.

A população pode ajudar o trabalho do Departamento de Vigilância de Zoonoses fazendo denúncias ou comunicando situações de risco por meio da Ouvidoria Municipal, tanto de forma presencial, na Rua Diogo de Vasconcelos, número 39, no Bairro Pilar, telefônica pelo número (31) 99752-6537 ou online pelo site oficial da Prefeitura de Ouro Preto. Os registros podem ser feitos de forma anônima com acompanhamento por protocolo. Além disso, os moradores também podem sinalizar diretamente aos Agentes de Combate às Endemias durante as vistorias domiciliares, permitindo que as informações sejam encaminhadas às equipes responsáveis para que as providências necessárias sejam adotadas de forma mais ágil e efetiva.









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