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Mariana receberá dez novos leitos municipais de UTI em 2027

  • Cecília Araujo e Fernanda Germano
  • há 32 minutos
  • 5 min de leitura

47° edição


Os leitos serão construídos no Hospital Monsenhor Horta pela Prefeitura, com oito deles destinados a atendimentos ao SUS.


 #ParaTodosVerem: A imagem mostra a fachada da entrada principal do Hospital Monsenhor Horta, com letreiro em prata com fundo vermelho. À frente da entrada está estacionada uma ambulância, na cor branca e marcações em vermelho e, ao fundo, outra.
Os primeiros leitos de UTI da cidade foram implementados durante a pandemia, mas não são suficientes para atender a demanda atual | Foto: Cecília Araujo

No começo deste mês (2), a Prefeitura de Mariana deu início à construção de dez novos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Tipo II, no Hospital Monsenhor Horta, que é gerido pela instituição hospitalar sem fins lucrativos Sociedade Beneficente São Camilo. Em janeiro deste ano, a Câmara de Vereadores aprovou o projeto para ampliar os atendimentos da cidade, com investimento previsto de R$ 7.035.236,04, destinado exclusivamente à obra de infraestrutura física da UTI, incluindo rede de gases medicinais, climatização, infraestrutura lógica, sistema de hidrantes, elevadores, redes elétrica e hidráulica.


Todos os leitos previstos serão adultos, com oito deles destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS) e dois para atendimentos particulares ou por convênios. A Ordem de Serviço foi assinada pelo prefeito de Mariana, Juliano Duarte, no dia 30 de janeiro, e a obra já está na fase de contratação de pessoal para sua realização.


O primeiro projeto de implementação da unidade de internação foi apresentado em 2021 e previa o início da construção para o ano seguinte. Entretanto, em 2022, houve paralisação das obras devido à instabilidade do solo, de acordo com o vereador de Mariana, Marcelo Macedo. Ele disse que “segundo o diretor do hospital, Tiago Alvarenga, a construção ficou parada porque teriam que fazer fundações profundas no terreno. Caso não fizessem, comprometeria a estrutura. Logo no início, viram que o projeto teria que passar por uma nova avaliação com engenheiro e com arquiteto para verificar a viabilidade da construção.”


Já Ítalo de Majelinha, atual Presidente da Comissão de Saúde da Câmara Legislativa Municipal e vereador do município, acredita que a suspensão e atraso das atividades deveu-se também à instabilidade política da época, ocasionada pelas trocas de prefeitos em Mariana em um único período mandato executivo. “A gente sabe que um projeto desse não é um projeto simples. Talvez essa instabilidade seja a grande culpa da gente não ter conseguido ir adiante com o projeto.”


A UTI Tipo II se caracteriza pelo atendimento a pacientes com riscos clínicos ou cirúrgicos moderados, como procedimentos no abdômen, tórax e ortopédicos, que necessitam de monitoramento 24 horas por dia, cuidados semi-intensivos e atenção intermediária, que são cuidados progressivos ao paciente em estado crítico ou grave.


Embora o Monsenhor Horta conte com dez leitos de UTI Tipo II desde 2021, construídos pela prefeitura e inaugurados na cidade em resposta à pandemia do COVID-19, a demanda do município hoje é maior do que a capacidade para atendimento. Segundo a secretária de saúde, Marilene Romão Gonçalves, “a necessidade de leito foi analisada de acordo com o planejamento regional do Estado e considerou os vazios assistenciais na saúde, que são de dez leitos”. Por isso, pacientes locais acabam se deslocando para municípios vizinhos, como Ouro Preto, em casos graves, e Belo Horizonte, em situações mais complexas.


Ítalo alega que Mariana hoje é referência para tratamentos que exigem hemodiálise, enquanto Ouro Preto é reconhecido pela excelência de atendimentos na UTI e Itabirito, como Centro Especializado em Reabilitação (CER). Mesmo assim, o crescimento da população aumentou incisivamente a necessidade de ampliar o setor para atendimento mais complexos. 


Estrutura visa redução de transferências


Em conversa com o Lampião, a diretora administrativa do Hospital Monsenhor Horta, Rosângela Aparecida Carvalho, acredita que os novos leitos da UTI serão suficientes para atender a população de Mariana, diminuindo significativamente o número de deslocamentos inter-hospitalares. A estimativa é atender aproximadamente 60 pacientes por mês, podendo variar dependendo da complexidade dos casos e tempo de permanência. Hoje, com base nos atendimentos do Hospital Monsenhor Horta, a demanda seria de 50 pacientes por mês”, conta. Ainda de acordo com ela, o transporte inter-hospitalar de pacientes é um procedimento de alto risco, podendo resultar em complicações severas ou até mesmo óbito.


#ParaTodosVerem: A imagem mostra uma ambulância branca com sinalizações e letras em vermelho. Ela está em movimento em uma rua asfaltada, próxima a carros prata e preto.
Com o aumento do número de leitos, menos pacientes serão transferidos pelas ambulâncias para municípios vizinhos | Foto: Cecília Araujo

Com a finalização das obras da nova estrutura para a UTI em fevereiro de 2027, segundo Rosângela,


os atendimentos devem começar no mês seguinte à conclusão, assim que os equipamentos, também adquiridos com recursos públicos da prefeitura e simultaneamente à construção, chegarem.


A diretora do hospital explica que os leitos, embora sejam destinados ao atendimento aos adultos, poderão ser usados para a internação de crianças em casos mais graves, como por exemplo problemas respiratórios, gastrointestinais, renais, pós-cirúrgicos que exigem monitoramento intensivo. “A legislação vigente exige estrutura independente para a internação de crianças em UTI com equipe e equipamentos específicos. Neste contexto, caso haja necessidade de internação de crianças a vaga deverá ser regulada via SUS-Fácil [software de assistência e atendimento a serviços de saúde pública]”, pontua.


Hoje, o Hospital Monsenhor Horta conta com uma equipe especializada na UTI Tipo II, mas novos profissionais, como médicos intensivistas, enfermeiros, técnicos de enfermagem e equipe multiprofissional serão contratados para atuar nos novos leitos. Rosângela conta que “a implantação da unidade irá gerar novos empregos, sendo 40 novos colaboradores da equipe multiprofissional. Os profissionais serão contratados pelo hospital e serão custeados com recursos advindos de convênios de prestação de serviços.”


#ParaTodosVerem: A imagem mostra um terreno ainda vazio, anexo ao prédio principal. Ao fundo do espaço do terreno há uma única caminhonete branca estacionada. O chão contém poças e pedras de brita espalhadas ao longo do terreno.
A obra da nova edificação, anexa ao prédio da hemodiálise, será realizada nesta área do hospital e expandindo a estrutura dos dez leitos de UTI atuais | Foto: Fernanda Germano

O investimento para a construção da nova infraestrutura de UTI da cidade está sendo feito pela Prefeitura de Mariana. A secretária de saúde contou ao Lampião que “os leitos a princípio são financiados com fonte municipal, sendo prioritário para os atendimentos do próprio território. Mas poderá atender demandas de outros municípios, seguindo a Política Nacional de Urgência e Emergência.” O recurso será repassado de forma parcelada para que a Sociedade Beneficente São Camilo possa acessá-lo de acordo com o andamento da infraestrutura. A entidade fica responsável apenas pelos cuidados de manutenção e dimensionamento de equipe.


Marilene acrescenta que, além dos R$ 7.035.236,04 investidos na construção dos leitos, Mariana destinará R$ 5.346.379,04 para outras ações de melhorias na saúde pública do município, com recursos do Fundo Municipal de Saúde (legislação com financiamento tripartite, ou seja, Federal, Estadual e Municipal). Comparado com o ano passado, ela afirma haver incremento de 30% no valor destinado à área, por conta da atualização nos custos de obra do mercado.


Para a diretora administrativa do Monsenhor Horta, os novos leitos de UTI Tipo II representam um avanço significativo para a saúde do município, “atendendo a uma necessidade crítica da população, dos profissionais de saúde e do poder público”.



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