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Plano de Manejo pode mudar relação da população com o Horto dos Contos, em Ouro Preto

  • Luiza Fernandes e Maria Eduarda de Lima
  • há 31 minutos
  • 4 min de leitura

47° edição


Documento determinará o zoneamento e novas regras de uso e organização da Unidade de Conservação.


 #ParaTodosVerem: Entrada do Parque Horto dos Contos, com uma fachada laranja com estrutura de madeira à esquerda, onde há uma placa branca fixada. Nela, está escrito em marrom, “PARQUE HORTO DOS CONTOS" e “OURO PRETO PATRIMÔNIO MUNDIAL”. À direita, há um portão marrom de ferro. É possível ver o interior do parque ao fundo, com vegetação, placa e uma cerca de proteção. O piso do local é de bloquete com um pouco de mato crescendo entre eles.
Atualmente, o Parque Horto dos Contos conta com quatorze funcionários, incluindo vigilantes noturnos, porteiros e operador de roçadeira | Foto: Maria Eduarda de Lima

O Parque Natural Municipal Horto dos Contos, um dos mais visitados de Ouro Preto, com cerca de 33 mil visitas no último ano, segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, entrou em um novo momento de sua história. O município iniciou, no final do ano passado, a elaboração do Plano de Manejo do parque, documento exigido pelo Art. 27 da Lei 9985/2000 da Constituição Federal para definir regras de uso, conservação e gestão da área. 


#ParaTodosVerem: Mureta de pedras desgastadas e com lodo. Ao lado, uma placa informativa com o título “O Circuito do Ouro”, desfocada, em meio às plantações. Ao fundo, vegetação e árvores altas.
O Parque foi criado em 1799, sendo o segundo jardim botânico mais antigo do Brasil, atrás somente do Horto Botânico do Pará | Foto: Maria Eduarda de Lima

O parque é uma Unidade de Conservação localizada no perímetro de Tombamento do Conjunto Arquitetônico e Urbanístico de Ouro Preto, sendo de total propriedade do município. Por isso, é protegido a nível federal mas administrado pela menor ou mais próxima autoridade competente, nesse caso, a administração municipal. 


Apesar de ser um dos principais espaços públicos de lazer da cidade, já enfrentou diversos problemas, chegando a ser fechado por duas vezes, em diferentes períodos, por decisão administrativa de gestões anteriores. O atual diretor de Parques e Áreas Protegidas de Ouro Preto, Pedro Rodrigues, cita alguns impedimentos para o melhor funcionamento do local, desde a falta de funcionários à situação de risco da área, além de “questões geológicas e esgotamento sanitário do centro histórico”. Segundo ele, o Plano de Manejo tratará de todas essas questões, indicando potencialidades, riscos, ameaças e oportunidades para o Horto. 


O professor, arquiteto e urbanista, André Dal'Bó da Costa, responsável pelo projeto, afirma que apenas 18% das Unidades de Conservação brasileiras possuem um Plano de Manejo e que, do ponto de vista técnico, essa ausência significa que as unidades são geridas sem planejamento ou organização estratégica. “É o instrumento que vai definir e organizar os diferentes usos permitidos e os proibidos, vai determinar o zoneamento com regras específicas para aquela área, estabelecer parâmetros de mensuração da situação da biodiversidade local prevendo sua restauração”, explica.


#ParaTodosVerem: Placa branca de “Acesso Restrito”, com pontas quebradas, caída no chão, próxima a uma grade de ferro enferrujada que interdita a área. O fundo está cercado por vegetação e o piso é de pedra com folhagens na superfície.
O Parque chegou a ficar interditado por alguns dias, em janeiro deste ano, em razão das fortes chuvas no município | Foto: Maria Eduarda de Lima

Para André, no Horto há sim certa organização ou planejamento da gestão, porém, para demandas imediatas. Já os aspectos mais gerais e transformações de planejamento de médio e longo prazo, acabam prejudicadas pela falta do Plano de Manejo até então. Questões como remoção do esgoto nos cursos d’água do parque, monitoramento das áreas com risco de deslizamento e controle de espécies vegetais invasoras necessitam de um tempo maior de elaboração. Segundo o arquiteto, como o Plano de Manejo trata de um horizonte de dez anos, esses problemas podem ser abordados.


#ParaTodosVerem: Escada metálica com corrimão enferrujado e lodo nos degraus. O piso da passarela é uma chapa de metal com acúmulo de poças de água causadas pela chuva. Ao redor, há vegetação.
Grande parte do Horto é aterro. Por isso, o parque enfrenta muitos problemas de deslizamento e áreas de risco, principalmente em períodos de chuva | Foto: Maria Eduarda de Lima

O diretor de Parques afirma que, após a aprovação, o plano se torna uma lei e não há possibilidade de se tornar um “plano de gaveta”. Assim, com a previsão de entrega do plano para setembro deste ano, segundo o cronograma divulgado no site do Plano de Manejo do Horto, Pedro assegura que já começará os processos licitatórios para a solução dos problemas mais críticos. “A população pode esperar um Horto mais organizado, com ações mais direcionadas. No dia a dia, no manejo de fato do Parque, isso vai ser muito bem observado”, afirma o diretor. 


O início da elaboração desse Plano de Manejo foi apresentado em reunião do Conselho Municipal de Desenvolvimento Ambiental (CODEMA), com a participação de representantes do poder público, instituições de ensino, organizações ambientais e entidades da sociedade civil. Durante o encontro, vieram à tona discussões sobre as competências do município e do estado na gestão ambiental. De acordo com o que foi registrado em ata, o licenciamento ambiental é conduzido em âmbito estadual, enquanto o município atua na certificação de uso e ocupação do solo. O CODEMA, embora não delibere sobre licenciamento, foi destacado pela conselheira suplente, Cristina Maia, durante a reunião, como um espaço institucional importante de manifestação pública e defesa ambiental.


Esse planejamento já vem sendo desenvolvido desde outubro de 2025, de acordo com o cronograma geral divulgado pela Risco Arquitetura, empresa responsável, e conta com a participação da população em algumas etapas. Em novembro aconteceram duas oficinas com participação dos moradores de Ouro Preto, abordando o cotidiano do Horto e a visão da população que frequenta o espaço. Mais de 70 moradores compareceram, atingindo a expectativa da organização. Essas questões são debatidas e levadas em consideração para o Plano de Manejo. Em abril haverá o segundo ciclo das oficinas, com duas sessões, e em maio o terceiro ciclo, com uma sessão, para que a população possa participar. As datas exatas ainda não foram definidas. 


Segundo o arquiteto do projeto, para manter maior transparência, todo o andamento do processo é atualizado no site. No momento, estão na etapa de diagnóstico técnico. 


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