No vai e vem das sacolas, a Feira se revela e ganha vida
- Gabriely Lemos
- há 2 horas
- 2 min de leitura
46ª edição
Ouça a matéria na íntegra:
Na feira, as sacolas refletem hábitos, escolhas e laços afetivos que desenham o cotidiano do consumo local.
Mais do que simples embalagens, as sacolas que se enchem na Feira Livre de Mariana compõem uma coreografia silenciosa de gestos e pertencimentos. Nelas, pulsa a história de quem compra e daquilo que compra, de quem vende e daquilo que é vendido, daquilo e daqueles que fazem a feira, mas também de quem vive a feira como território afetivo. Nessa diversidade, a pluralidade do espaço se mostra. E mostram-se seus sujeitos, seus modos de viver e consumir, seus saberes.
Assim, as sacolas que circulam funcionam como pequenas janelas para compreender os hábitos dos fregueses. Cada material, estampa ou desgaste carrega pistas sobre escolhas de consumo, preferências e vínculos com o lugar. Ao observar essas embalagens, emerge um retrato silencioso, mas revelador, da feira: um lugar vivo onde convivem tradição, economia doméstica e os modos particulares de se relacionar entre produtos, produtores e comunidade.
Essa feira que acontece todas as manhãs dos sábados, das 6 às 11 horas no estacionamento do Centro de Convenções, reúne produtores locais e artesãos que oferecem alimentos frescos, peças artesanais, plantas e produtos típicos da região. Realizada desde 1985, a Feira Livre de Mariana conta atualmente com 33 feirantes, dos quais 24 são moradores da cidade.
Mais do que um espaço de comércio direto, a feira é um ponto de convivência comunitária, onde moradores e visitantes compram os produtos para a semana, valorizam e reconhecem a agricultura familiar, fortalecem relações comunitárias e mantêm viva a tradição local.
As sacolas, portanto, não apenas transportam mercadorias: elas guardam e revelam memórias, modos de vida e sentidos de pertencimento. Ao acompanhar seus movimentos, vê-se mais do que o fluxo de compras, percebe-se a tessitura de relações que se sustentam ali.
São objetos cotidianos que, discretamente, testemunham a permanência da tradição, a força da comunidade e a vitalidade de um espaço que segue pulsando a cada sábado.
















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