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Comunidades Quilombolas diante do Desastre da Samarco e dos Desafios da Reparação em Mariana

  • Natália Xavier e Tainá Quirino
  • há 2 dias
  • 13 min de leitura

Atualizado: há 2 dias

Lideranças quilombolas denunciam situações de desigualdade e racismo ambiental que contribuem para a invisibilidade dessas populações, enquanto enxergam no Novo Acordo do Rio Doce uma possibilidade de conquistas importantes.


Daiane (esquerda), Neusa e João Carlos com a bandeira da Associação Vila Santa Efigênia e Adjacências na MG 262. Foto: Tainá Quirino. #ParaTodosVerem: No lado esquerdo está a Daiane,  mulher negra de cabelo cacheado longo e solto, veste calça jeans e blusa preta (à esquerda), ao centro está Neusa mulher idosa negra, usando blusa verde neon, e, à direita, está o João Carlos homem negro adulto estindo blusa branca e calça jeans.. Os três seguram a bandeira da Associação, que contém símbolos coloridos que formam o nome da comunidade Vila Santa Efigênia e Adjacências e embaixo a frase “ NA LUTA!”, às margens da rodovia MG 262. 
Daiane (esquerda), Neusa e João Carlos com a bandeira da Associação Vila Santa Efigênia e Adjacências na MG 262. Foto: Tainá Quirino. #ParaTodosVerem: No lado esquerdo está a Daiane,  mulher negra de cabelo cacheado longo e solto, veste calça jeans e blusa preta (à esquerda), ao centro está Neusa mulher idosa negra, usando blusa verde neon, e, à direita, está o João Carlos homem negro adulto estindo blusa branca e calça jeans.. Os três seguram a bandeira da Associação, que contém símbolos coloridos que formam o nome da comunidade Vila Santa Efigênia e Adjacências e embaixo a frase “ NA LUTA!”, às margens da rodovia MG 262. 

As comunidades quilombolas de Mariana seguem enfrentando os impactos do desastre-crime da Vale e BHP (Samarco), as históricas precariedades da infraestrutura urbana e de acesso a bens e serviços públicos, além da negação de direitos e a exclusão nos processos de reparação. É o caso dos dois quilombos existentes no município, o  Vila Santa Efigênia e Adjacências, composto pelas comunidades de Vila Santa Efigênia, Embaúbas, Limoeiro - Vila 2 e Castro; e o de Margarida Viana e Paraíso, ambos próximos ao distrito de Furquim, margeados pelo Ribeirão do Carmo e Rio Gualaxo do Sul. 


Os quilombos representam espaços de resistência, identidade brasileira, memória e fortalecimento cultural construídos ao longo da história do País. Suas comunidades quilombolas mantêm forte relação com o território, elemento essencial para sua sobrevivência, identidade e modo de vida.


Santa Efigênia e adjacências, que há mais de 15 anos vinha construindo seu processo de reconhecimento pela Fundação Cultural Palmares como comunidade quilombola e obteve a certificação desde 2010, foi contemplada pela Repactuação ou Novo Acordo do Rio Doce, homologado em novembro de 2024. Margarida Viana e Paraíso, associação que estava em processo de reconhecimento pela Palmares quando o Acordo foi assinado e homologado, hoje também pleiteia sua inclusão. “Na época (do rompimento), éramos a única comunidade quilombola certificada em Mariana”, afirma Daiane de Paula, 37 anos, Vice-Presidente da associação quilombola e moradora da Vila Santa Efigênia.


"A gente sabe que o Acordo não foi o que deveria ser[..] Não foi construído conosco, foi construído para nós"


Para ambas as comunidades, a Repactuação pode significar uma via de compensação dos danos causados pelo rompimento de Fundão. O Novo Acordo propõe melhorias, ainda que limitadas, na opinião de suas lideranças. Daiane crítica no entanto a forma como ele foi construído e concretizado, sem consulta prévia ou participação efetiva: “A gente sabe que o acordo não foi o melhor que deveria ser. Foi o melhor que talvez pôde ser. Não foi construído conosco, foi construído para nós”.


A falta de participação nas decisões relacionadas ao território, continua sendo, para a liderança de Santa Efigênia e Adjacências, a marca de uma política racial de exclusão. Daiane denuncia que as decisões vêm sempre de cima para baixo. 


É o caso, por exemplo, do projeto de ampliação das rodovias da região realizado pelo governo mineiro, com recursos da Repactuação. O consórcio Rota da Liberdade passará a administrar a MG-356 e trechos das MG-329 e MG-262. Essa última historicamente corta as comunidades que compõem o quilombo, separando a comunidade de Limoeiro - Vila 2 das demais. 


Ainda segundo Daiane, após o desastre-crime, o fluxo de carros, carretas e caminhões aumentou exponencialmente na MG-262, o que por consequência impactou o acesso à sede do município de Mariana, que passou  de no máximo 20 para cerca de 40 minutos ou mais o tempo de deslocamento do quilombo até a localidade. 


Os moradores relatam que os acidentes de trânsito também se tornaram mais frequentes e danosos. Como o conglomerado urbano do território se localiza imediatamente abaixo da rodovia, veículos acidentados já caíram lá, representando alto risco para os habitantes. Contam ainda que, nestes casos, são eles que acabam realizando os primeiros socorros,  cuidando dos mortos e feridos. “Várias vezes é a gente ainda que tem que ficar tomando conta de madrugada até a hora que a perícia chega, até de pessoas mortas pra bicho não mexer nos corpos ’’Relata Daiane.


A presença da MG-262 já havia trazido outros prejuízos. Durante sua construção, famílias da comunidade de Embaúbas foram desapropriadas de suas casas e forçadas a se deslocar para outras regiões dentro do território. A separação criada pela estrada entre Limoeiro - Vila 2 e as outras três comunidades dificulta significativamente o trânsito entre elas e representa perigo para as pessoas que precisam atravessar a rodovia. 

Outro aspecto que chama muita a atenção é a total falta de visibilidade das duas entradas que dão acesso à comunidade de Vila Santa Efigênia, ambas no final de curvas sinuosas, e o fato de a MG ter também separado a Capela de Santa Efigênia do núcleo urbano.


Imagem 1 #ParaTodosVerem: A imagem mostra uma casa cinza em meio a vegetação, em parte seca, em destaque na imagem está uma casa ainda em construção.  Imagem 2 #ParaTodosVerem: A imagem mostra uma mulher negra de costas, usando um vestido verde-limão de manga curta. Ela está em pé, olhando para uma paisagem montanhosa.  Imagem 3 #ParaTodosVerem: Daiane, Neusa e João estão posando em frente a uma pequena igreja branca, com duas torres e cruzes no topo. A mulher à esquerda usa camiseta preta e calça jeans; o homem ao centro veste camiseta clara e calça jeans; e a mulher à direita usa um vestido verde. Imagem 4 #ParaTodosVerem: Daiane, Neusa e João estão sentadas em meio a uma área bastante arborizada. À esquerda, Daiane de cabelos longos conversa e faz um gesto com a mão; ao centro, Neusa usa um vestido verde; e, à direita, João de óculos escuros e camiseta clara está sentado com as pernas cruzadas. A cena registra uma entrevista


Embora não sejam contra as obras de duplicação, eles defendem o direito à consulta prévia, garantido pela Convenção N° 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Neste caso existem inclusive possíveis impactos que poderão ser causados como o aumento ainda maior do fluxo de veículos, que por sua vez poderá tornar a via ainda mais movimentada e perigosa. 


Outro ponto de contestação é a colocação de pedágios, que irão representar mais um dano financeiro  aos quilombolas, que já possuem uma condição econômica delicada, severamente impactada pelo desastre da Vale e BHP (Samarco) e pela falta de fontes de emprego e renda no território.


Quase 11 anos após o crime da Samarco, a única  compensação que receberam pelo rompimento de Fundão foram apenas o Auxílio Financeiro Emergencial (AFE), implantado desde 2016 para outras populações, e que só chegou até eles em 2025, e o recém criado PID (Programa Indenizatório Definitivo), indenização de R$ 35 mil [LEIA MAIS] oferecida como quitação total dos danos, aceita por alguns quilombolas devido à insegurança econômica e alimentar.


Entre invisibilidades e exclusões 

“A lama física não passou aqui, mas a invisível passou”. 


Comunidades quilombolas também passaram a enfrentar consequências ambientais, econômicas e sociais que, segundo moradores, denunciam o cenário de invisibilização e racismo ambiental. Maria Geralda Borges, 61, moradora de Paraíso, relata que nenhum órgão oficial, além da Fundação Palmares, ou mesmo veículos de imprensa, procurou alguma vez o quilombo para conhecer sua realidade ou ao menos ouvir suas demandas.



A Comunidade Quilombola de Paraíso revela, em suas paisagens e histórias, a relação entre território e memória. A foto apresenta um pouco da presença da natureza e do Rio Gualaxo, que acompanha a vida da comunidade e marca a divisão com Margarida Viana. #ParaTodosVerem:  No lado direito da imagem está Maria Geralda, mulher negra idosa, de costas, vestindo uma blusa azul com bolinhas brancas e um lenço branco na cabeça. Ela olha para o Rio Gualaxo a sua frente que cobre a maior parte da imagem, à esquerda aparece o rio em destaque e parte da vegetação.


Fotos: Natália Xavier. Imagem 1 #ParaTodosVerem: à direita da imagem está Maria Geralda, mulher negra idosa, de costas, vestindo uma blusa azul com bolinhas brancas e um lenço branco na cabeça. Ela olha para o Rio Gualaxo a sua frente que cobre a maior parte da imagem. Imagem 2 #ParaTodosVerem: ao centro da imagem o rio Gualaxo, cercado por margens cheias de vegetação, a imagem é emoldurada por folhas finas e compridas de uma planta. Imagem 3 #ParaTodosVerem: a imagem mostra Maria Geralda, mulher negra, vista de frente. Ela usa blusa azul-turquesa com bolinhas brancas e a faixa branca amarrada na cabeça, com o coque aparecendo no topo.Ao fundo, há um ambiente coberto por grama seca. Imagem 4 #ParaTodosVerem: a imagem retrata uma estrada de terra batida. A estrada faz uma curva em direção ao fundo, subindo. Ambos os lados da estrada são protegidos por cercas de arame com estacas de madeira. Imagem 5 #ParaTodosVerem: Maria Geralda, mulher negra, fotografada de perfil, do lado esquerdo da imagem, olhando em direção a casa de madeira e telhado de zinco. Ela mantém os mesmos trajes (blusa azul com poá e faixa na cabeça). Imagem 6 #ParaTodosVerem: casa simples de alvenaria, pintada de cinza claro, com um telhado de telhas vermelhas (estilo colonial). A casa tem janelas de madeira fechadas e está construída sobre um pequeno barranco de terra avermelhada. À frente da casa há um gramado verde.


Até mesmo a condição de pessoas atingidas teve que ser conquistada com muita luta. À época dos reconhecimentos iniciais, as empresas minerárias usavam como critério a devastação das casas e a passagem da lama pelo território. Sob este tipo de orientação, a própria Fundação Palmares chegou a não reconhecer a Vila Santa Efigênia e Adjacências como tal. “A lama física não passou aqui, mas a invisível passou”, destaca Daiane.


Neusa da Conceição, 69, moradora da Vila Santa Efigênia, conta que muitas mulheres complementavam a renda familiar com hortaliças produzidas no próprio local. Após o rompimento, os consumidores, que em sua totalidade eram da sede do município de Mariana, pararam de comprar os produtos por receio de contaminação das plantações pelos rejeitos espalhados pela região vizinha. Esse impacto também afetou Paraíso e Margarida Viana.


O artesão João Carlos dos Santos, 60, morador de Limoeiro, conta ter passado a enfrentar dificuldades para vender suas obras. “Eu, pelo menos por mês, só de arte, eu vendia em torno de dois e oitocentos a três mil e duzentos [reais], uma média só com arte e artesanato. Mas foi tudo embora.”, conta João Carlos.


O racismo sofrido também é denunciado por ele, quando, para atenuar a perda de renda causada pelo desastre-crime, teve que procurar outra forma de trabalho . João Carlos conta ter sido aprovado em um processo seletivo para uma empresa ligada à mineração, que prefere não citar o nome. Mas ao comparecer presencialmente à instituição para assinar os documentos, lhe foi oferecida uma uma função diferente da que concorreu e de menor remuneração. A vaga para que foi selecionado acabou entregue a um homem branco.


João Carlos destaca que o rompimento afetou ainda a convivência entre as comunidades tradicionais da região. Antes do desastre, os moradores de Vila Santa Efigênia e Adjacências mantinham contatos frequentes com famílias de Paracatu de Baixo, marcados por festas, campeonatos de futebol, truco e encontros comunitários. Após o desastre-crime, muitas famílias precisaram se mudar para outras regiões de Mariana, enfraquecendo esses vínculos. 


Daiane acrescenta que algumas manifestações religiosas locais também deixaram de existir: “A festa de Santo Antônio deixou de acontecer no Castro”. No entanto, ainda segundo ela, a comunidade de lá vem, há algum tempo e aos poucos, se reorganizando para retomar esta celebração. No ano passado conseguiram, pela primeira vez desde o rompimento da barragem, realizá-la, e fizeram o mesmo neste ano, no dia 21 de junho, com a participação de grupos culturais.


Outro problema que passou a impactar diretamente a comunidade de Vila Santa Efigênia  foi a chegada maciça de novos moradores não pertencentes a ela. Alguns deles inclusive também  atingidos pelo desastre em outras regiões, que passaram a buscar no território um lugar com semelhanças aos que viviam antes para reconstruir a vida após receberem suas indenizações.


Para os quilombolas da Vila Santa Efigênia, a presença de novas pessoas que pertencem  e nem demonstram interesse em se integrar, alterou as dinâmicas históricas, identitárias e sociais da comunidade. Uma das maiores perdas que lamentam foi o acesso ao Ribeirão do Carmo pelo caminho ancestral da comunidade. O percurso histórico, marcado pelo lazer, encontros, confraternização e parte da subsistência deles acabou fechado, após as terras em que se situa terem sido vendidas para um destes novos habitantes.


Para além do rompimento

A precariedade da infraestrutura urbana é um traço histórico que acompanha essas comunidades quilombolas, mesmo antes do desasatre da barragem da Samarco. Os moradores de Margarida Viana e Paraíso, por exemplo, não têm acesso ao transporte público, e consequentemente ao programa Tarifa Zero de Mariana, o que dificulta o seu acesso à sede do município. Quando precisam se deslocar até lá, além de caminharem por trechos longos e íngremes até o trevo da MG 262, precisam pagar cerca de R$25,00, por cada trecho de ida e de volta,para acessarem o ônibus da Pássaro Verde, empresa privada responsável pelo transporte intermunicipal e interestadual na região. Outra alternativa é seguirem à pé até Furquim, último distrito que seguindo pela MG 262 é contemplado pelo programa Tarifa Zero, há cerca de quatro quilômetros de distância do trevo de Paraíso e 2 quilômetros de Margarida.


Fabiana Aparecida Miranda, 39, quilombola de Margarida Viana, relata também a precariedade dos equipamentos públicos de lazer: “Aqui mesmo não tem asfalto, a gente queria um campo melhor pra gente jogar bola, pros meninos brincarem, uma estrada mais digna.”


Imagem 1 #ParaTodosVerem: Sentados em um banco, aparecem, da esquerda para a direita tres mulheres e um homem, que em ordem são; Maria Desideria mulher negra está com os braços sobrepostos e olhando para Celia, mulher branca de cabelo cacheado curto e grisalho, Celia que olha para frente, está falando, Fabiana mulher negra de rabo de cavalo, de blusa branca com listra pretas  olha para baixo e tem os braços cruzados e Arlindo homem negro lha para frente com espressão séia e mãos juntas. Imagem 2 #ParaTodosVerem: A imagem mostra a estrada ampla de terra batida vermelha, onde galinhas e patos brancos caminham livremente. Ao fundo, ergue-se uma pequena capela branca com telhado e porta escura, na frente, há uma cruz decorada com fitas azuis e brancas. Imagem 3 #ParaTodosVerem: A fachada dessa mesma capela branca é vista de um ângulo baixo, destacando o chão texturizado de terra vermelha onde algumas aves brancas descansam. A estrutura rústica mostra marcas do tempo e poeira na base, mantendo sua porta de madeira fechada e um pequeno sino visível no topo do telhado. O cruzeiro de madeira à esquerda aparece em detalhes, completamente envolto por camadas de fitas e babados decorativos azul-claro e brancos. Imagem 4 #ParaTodosVerem: Estátua religiosa  representa uma figura feminina de devoção com longos cabelos castanhos e pele clara. Ela está com a cabeça inclinada para trás e os olhos voltados para o alto em atitude de prece, mantendo as mãos cruzadas sobre o peito. A escultura veste uma túnica amarela sob um manto azul.


Na Comunidade Quilombola de Margarida Viana, a capela representa um espaço de encontro, memória e preservação das tradições locais. O registro dos moradores no interior do templo evidencia a importância desses espaços para a convivência comunitária e para a construção da história do território.


As estradas sem pavimentação dificultam o acesso à educação. Como as escolas de ambas as comunidades foram desativadas, os estudantes precisam se deslocar diariamente até Furquim. Em períodos de chuva, as vias de Margarida Viana se tornam inacessíveis e o transporte escolar deixa de circular, fazendo com que muitas crianças percam aula. “Os meninos da noite vêm a pé até em casa”, relata Fabiana. Apesar de antigas promessas, o asfaltamento nunca foi concluído até lá.


Maria Geralda conta que a pequena comunidade de Paraíso é composta hoje por cerca de 35 famílias e enfrenta o êxodo dos jovens que, pela falta de oportunidades de estudo, com a retirada das escolas, de emprego e de lazer, precisam deixar sua origem. Daqui a 10 anos, se os aposentados não permanecerem, não terá mais ninguém. “Os Jovens não ficam, formou [concluiu] o terceiro ano [do ensino médio] vai embora mesmo.” Ela pondera ainda que as únicas ocasiões em que os jovens retornam à comunidade são a festa do padroeiro, Santo Antônio, e o reencontro dos antigos e atuais moradores.


Outra reclamação da liderança de Paraíso é sobre o quase inexistente sinal de telefonia celular da região, que obriga as pessoas a terem que sempre buscar locais onde às vezes conseguem acessar o serviço, o que dificulta a comunicação fora das residências.


Imagem 1 #ParaTodosVerem: Ao centro da imagem está a Capela de Santo Antônio, com portas, janelas e detalhes na cor azul, enquanto o restante da construção é branco. À direita, há uma casa em tom de rosa, com porta e janelas de madeira. À esquerda, aparece uma árvore. Imagem 2 #ParaTodosVerem: Foto de paisagem rural  tirada de um ponto de vista elevado. No centro da imagem, uma estrada de terra estreita corta uma plantação alta e densa que ocupa o lado direito e o fundo. Do lado esquerdo da estrada, há três casas simples com telhados de cerâmica. Imagem 3 #ParaTodosVerem: A foto retrata uma pequena construção retangular feita de tijolos vermelhos sem reboco. O moinho tem um telhado simples e está apoiada sobre pilares de concreto. Do lado esquerdo, há uma pequena janela. Abaixo da estrutura, há um roda d'água' de madeira. Imagem 4 #ParaTodosVerem: A foto capta uma máquina de moagem artesanal feita de madeira e pedra, no canto de uma sala com paredes de tijolos vermelhos. A máquina tem estrutura de suporte de madeira robusta que sustenta um grande funil de madeira. Abaixo do funil, há uma grande pedra de moagem circular e plana apoiada em uma madeira no chão. No chão, ao lado da pedra de moagem, há um pequeno balde de plástico amarelo. Imagem 5 #ParaTodosVerem: A foto mostra um grupo de onze mulheres negras e um homem negro em pé sobre uma estrada de asfalto, posando para a câmera. Todas as mulheres usam camisetas brancas de manga curta e saias longas e rodadas vermelho, azul e marrom por cima de uma saia de forro azul. O homem, em pé na esquerda, usa camiseta cinza com uma estampa e calças escuras.


Grupo de dança dos Grupos Quilombolas de Margarida Viana e Paraíso em apresentação.  Foto: Acervo Pessoal da Comunidade. #ParaTodosVerem: O vídeo mostra um grupo de onze mulheres negras dançando. Todas as mulheres usam camisetas brancas de manga curta e saias longas e rodadas vermelho, azul e marrom por cima de uma saia de forro azul.

O acervo pessoal de Margarida Viana reúne registros que preservam parte da memória da Comunidade Quilombola de Margarida Viana. Entre fotografias de grupos de mulheres da dança, famílias que viveram no território em outros períodos e elementos do cotidiano, como o antigo moinho de água, o material revela histórias, práticas culturais e modos de vida que fazem parte da trajetória da comunidade. #ParaTodosVerem: A imagem apresenta registros do acervo pessoal de Margarida Viana. As fotografias mostram um grupo de mulheres reunidas para uma apresentação de dança, famílias que residiam na comunidade em anos anteriores e um antigo moinho de água utilizado no território. As imagens preservam momentos da história, das relações familiares e das práticas culturais da Comunidade Quilombola de Margarida Viana.


Outro símbolo do abandono é a antiga ponte que liga Margarida Viana a Paraíso. A estrutura, que conectava as duas comunidades irmãs, foi destruída pelas chuvas e nunca mais reconstruída. ´´De lá [Margarida Viana] para  cá no Paraíso, a pé era 15 minutos``, conta Arlindo Borges, 67, morador de Margarida Viana ao lembrar do período em que a travessia era feita pela ponte. Maria Geralda conta que a travessia era parte do dia a dia da comunidade, que, em grupo, utilizavam-na durante a noite para participarem de festividades em ambas as localidades, prática essa que segundo se perdeu. A falta de visibilidade de questões importantes voltadas ao território quilombola é um ponto recorrente na fala de todos eles.


Daiane ainda denuncia a disparidade entre uma sede rica, como Mariana, e um quilombo sem o básico. O município arrecadou R$12.643.651,58 de Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) em 2025, o que o colocou na sexta posição de maior valor arrecadado no ranking nacional, e em terceiro entre os municípios de Minas Gerais que mais recebem a CFEM.


O rompimento da Barragem de Fundão só piorou as condições já precárias destas populações, que deveriam ser ouvidas, atendidas em seus direitos, protegidas, pelo valor e importância de sua história, e acima de tudo, reparadas. No entanto, o que se vê é que as comunidades quilombolas de Mariana ainda convivem com impactos sociais, econômicos e estruturais agravados pelo desastre-crime. 


Mas, apesar disso, seguem resistindo, sempre em busca da preservação de sua memória e da garantia de seu direito de existir. Nesse processo, moradores vêm criando importantes iniciativas que buscam recuperar e fortalecer as tradições que reforçam os laços e o convívio comunitário, como o grupo de dança de Margarida e Paraíso, as festas religiosas no Crasto e o campeonato de truco em Santa Efigênia e Adjacências. As iniciativas buscam recuperar e fortalecer práticas que fazem parte da existência dessas comunidades.


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